Concurso Weefor Arq - Habitação multifamiliar

Proposta enviada para concurso nacional de arquitetura - 1Aberto de Arquitetura Weefor Arq. O objeto do concurso era o projeto de um edifício residencial - habitação coletiva - de aproximadamente 5mil m2, em Curitiba - PR.

 

Memorial entregue

A proposta para a implantação do edifício residencial WEEFOR, além de seguir as premissas descritas na apresentação do concurso, se propõe a discutir o impacto dos projetos e sobretudo das construções em condições que extrapola o terreno que estão inseridos.

A implantação do conjunto leva em consideração as principais características do lote e de seu entorno imediato, a fim de respeitar o ambiente existente, ao mesmo tempo que estabelece um novo e singelo marco arquitetônico na região.

Ela nos leva também a propor alternativas para que a implantação de um projeto, mesmo em seu âmbito privado, possa colaborar com uma melhor ocupação das nossas cidades, com menos cicatrizes urbanas, promovendo as necessárias costuras e gentilezas que, se somadas, melhoram nossa a vida em sociedade.

A preocupação com a inserção do edifício, num terreno relativamente pequeno e de geometria irregular, nos leva a estudar incialmente o volume máximo possível de construção dentro dos limites de recuos, gabaritos e área construída [01]. O estudo volumétrico nos traz a compreensão de que é preciso liberar visuais para a cidade e estabelecer a implantação de modo a privilegiar a insolação e ventilação [02], promovendo onde e quando necessário as devidas proteções.

A lapidação deste volume ao mesmo tempo do atendimento ao extenso número de unidades previstas no edital só é possível através da compreensão de uma ocupação com unidades e seus jardins privativos no pavimento térreo, localizados nas divisas do terreno com os vizinhos laterais e dos fundos. Desta maneira, se libera uma parte do pavimento térreo, livre para as pessoas, a partir do privilégio do acesso pela esquina das ruas Pará e Mato Grosso.

O atendimento do programa e da legislação com a criação de uma vaga de veículo para cada unidade habitacional nos leva inevitavelmente a ocupar dois níveis de estacionamento [03]. Entretanto, é fundamental para o partido do projeto e para a relação deste edifício com a cidade a garantia do acesso de pedestres pelo térreo, onde se privilegiam as pessoas, e por isso a criação de dois pavimentos de estacionamentos em cotas intermediárias em relação ao nível da rua Pará [04].

O diálogo franco, livre e fluido deste acesso pela esquina, sob os pilotis de um dos blocos do conjunto, que subtrai as camadas visuais através dos jardins suspensos das lajes e dos distintos níveis, conduzem o passeio público a se tornar privado sem prejuízo da qualidade do espaço, através de uma praça de acolhimento, palco das mais diversas relações físicas e espaciais entre as pessoas, que ao mesmo tempo abriga e se expande para a cidade.

Com a ocupação de algumas unidades no térreo, é possível liberar vazios intermediários no prédio, estabelecendo assim mais espaços de lazer e convívio [05], tanto no meio dos pavimentos quanto na cobertura do edifício. Estas relações ganham contornos diferentes através das mais variadas e inusitadas possibilidades de interação com o tecido e panorama da cidade. 

A ligação destes dois blocos, alinhados com a geometria do terreno, é feita através de uma circulação horizontal por passarelas metálicas que criam eixos entre os vazios e protegem o bloco maior do sol poente, através de um sistema de brises de madeira [06]. Nesta circulação que conecta os elevadores e a escada de emergência, nas duas extremidades do conjunto, se propõe jardineiras e parapeitos com vegetação, que ajudam na criação de um microclima naturalmente temperado dentro do conjunto.

Esta heterogeneidade vista na cidade é transmitida para a ocupação das unidades do conjunto, onde a distribuição do programa e a mescla das unidades de 55 e 75m2 garantem um jogo volumétrico que rompe a monotonia de um conjunto denso e compacto.

Sistema Construtivi | O projeto conceitual, como instrumento de planejamento da construção, antecipa alguns itens relativos ao sistema construtivo e aos subsistemas envolvidos, considerando aspectos de racionalização da construção, economia de recursos e sustentabilidade.

Estrutura | O sistema estrutural prevê componentes em concreto armado que atendem as exigências do edital do concurso e garantem a boa prática de obra civil.

O sistema é feito com pilares de concretos, distantes em vãos que variam de 5,75m a 7,50m, com a ligação de vigas de concreto no sentido dos pilares, e adoção de lajes tipo painel alveolar, que vencem o vão menor proposto e minimizam o uso de escoras, agilizando a obra e industrializando o canteiro. Nas extremidades dos edifícios, os pilares se transformam em empenas de concreto armado que fazem o travamento do sistema, garantem o acabamento pretendido e dão a desejada unidade ao conjunto. Com a garantia de estabilidade da construção, as fachadas ficam livres para aplicação das esquadrias, e permitem maiores aberturas para iluminação e ventilação.

O sistema proposto se completa com o travamento horizontal das caixas estruturais de circulação vertical, também em concreto armado. As passarelas que fazem a circulação horizontal nos andares são feitas, por sua vez, com um sistema industrializado metálico com perfis de aço e laje steeldeck. Este sistema permite a agilidade na construção destas peças e podem eventualmente servir de apoio às etapas de construção dos pavimentos.

Sistema da instalações | As caixas de circulação vertical contêm também as prumadas de instalações – elétricas, de telecomunicações, hidráulicas – que se articulam, por meio dos quadros de distribuição, e passam a fazer os caminhos horizontais a partir do sistema metálico das passarelas.

Nas unidades, se propõe a construção de um núcleo central que contém todas as instalações hidráulicas, otimizando tanto a obra e a entrega das unidades quanto a flexibilidade de ocupação interna, além de garantir a liberação das fachadas externas para as áreas de convívio coletivo das habitações e dos dormitórios, permitindo variados arranjos sem prejuízo da ventilação e da iluminação natural.

Equipe Bruno Rossi Arquitetos + MarcoZero Estudio

Bruno Rossi

Letícia Sitta

Adriano Bueno

Davi Eustachio

Thiago Vita

Pedro Coltro

 

Curitiba - PR - 2019